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13 de junho de 2008 – sexta-feira
Chegamos um pouco atrasados no aeroporto, mas, apesar da fila grande do check-in, não tivemos problemas. O avião saiu na hora e a TAP nos surpreendeu positivamente. O novo avião (Pedro Álvares Cabral), um Airbus A330, que opera a linha Recife-Lisboa é muito bom. O espaço entre as cadeiras é maior do que o normal, o encosto reclina mais e há suportes laterais para a cabeça. Além disso, cada cadeira dispõe de um monitor próprio, o que nos dá a liberdade de escolher a programação que queremos ver. Assistimos a um filme com Audrey Tautou, que era razoável. Era a história de uma moça que ficava amiga de um cara que dividia o apartamento com outro. Até a tripulação me pareceu mais simpática. Só a comida é que não melhorou. Foram duas as opções de jantar: porco com alguma coisa ao molho de abacaxi, e penne com molho de tomate e anchovas. Eu comi o porco e Renata foi de penne (estava razoável).
14 de junho de 2008 – sábado
O avião pousou no aeroporto de Lisboa na hora programada e pegamos o ônibus que nos levou até o terminal de passageiros. Passamos pelo controle de embarque – dessa vez o pessoal foi mais bem educado – e fomos esperar nosso avião. No final da primavera, o aeroporto não estava frio, como foi na nossa experiência passada, no inverno de 2006/2007. Numa coisa o aeroporto de Lisboa melhorou muito: agora é realmente proibido fumar, e não aquela proibição ridícula em que havia alguns locais permitidos, mas sem nenhuma separação física do restante do aeroporto. Quem sabe até a gente não resolve visitar Portugal um dia desses. A internet wireless do aeroporto é paga (e cara), de forma que não a utilizamos. O avião para Londres saiu na hora certa, mas não gostei muito do vôo. Na longa aproximação de Heathrow meu ouvido incomodou um pouco. Renata não sentiu nada. Após passarmos pela imigração em Londres (sem maiores problemas – a moça perguntou em que a gente trabalhava, para onde a gente ia, e qual o roteiro da nossa viagem – fomos para a área de recolhimento de bagagem. Tensos, naturalmente, após a nossa experiência da última vez, em que ao chegarmos em Londres, pela mesma TAP, no dia 31/12/2006, a mala de Renata não foi entregue. Assim que nos aproximamos da esteira, avistei a minha mala, e menos de um minuto depois, a de Renata. Viva! Chegamos são e salvos, passamos pela imigração sem maiores estresses e nossas malas estavam em Londres – todas as duas! É importante ressaltar que, para evitar maiores problemas, a gente tinha dividido as coisas de cada um nas duas malas. Assim, se uma delas fosse perdida, pelo menos cada um teria metade das roupas.
Tive a impressão de que o caminho para a estação de metrô do aeroporto de Heathrow foi maior que das outras duas vezes em que eu já tinha estado em Londres. Talvez tenhamos descido em um terminal diferente. Mas Renata não teve essa impressão. Compramos o passe de uma semana de metrô (7 Days Travelcard para as zonas 1 e 2, £ 24,20, para cada um) e colocamos mais £ 1,00 no Oyster para pagar a passagem de Heathrow até o centro da cidade. Ao chegarmos em Earl's Court, nossa estação de metrô, não vimos onde ficava o elevador, de forma que subimos um lance de escada. Antes de subirmos mais escadas, encontramos o elevador, o que foi bastante útil. Saímos da estação de metrô seguindo as informações obtidas no site de transportes de Londres e chegamos rapidamente a nosso hotel (uns 5 minutos), o Base2Stay. Como não tivemos maiores atrasos, chegamos no hotel por volta do meio-dia, ou seja quase duas horas antes do check-in. Assim que chegamos, fomos informados de que havia ocorrido um problema no condicionador de ar do quarto triplo que havíamos reservado, de forma que seríamos alocados, por um dia, em dois quartos: um duplo, para mim e Renata e um simples para Marcos Zarzar. Fizemos um pré check-in e decidimos esperar por Marianne, que marcou de nos encontrar no hotel, quando saísse da aula de francês dela. Antes que Marianne chegasse e antes da hora oficial do check-in, nosso quarto ficou pronto, de forma que fomos logo deixar nossas coisas por lá. Antes que tivéssemos tempo de tomar banho, Marianne chegou e saímos para comer alguma coisa.
Fomos a Covent Garden para almoçar. Andamos um pouco pelo mercado e depois decidimos comer num restaurante que fica no primeiro andar de lá: o Chez Gérard. Pedimos carnes para cada um de nós e tomamos água, Coca-Cola e suco de laranja (industrializado, naturalmente). O interessente é que na hora de passar o cartão de crédito, antes de digitar a senha, a máquina perguntou se eu queria dar gorjeta, e de quanto seria a gratificação. Com gorjeta, a conta saiu £ 86,41, para os três (Couvert: 3x£ 1,95; Coca-Cola: 2x£ 1,80; Água mineral: £ 3,95; Suco de laranja: £ 2,00; Rib Eye £ 17,50; Sirloin: £ 18,50; Boeuf Bourguignon + Purê de batata: £ 18,30). A comida não era excelente, mas também não era ruim. Mas Renata adorou o couvert, que era composto de “pão francês”, manteiga normal e manteiga de anchovas. O “interessante” é que apesar dos cartazes dizendo que era proibido fumar, havia uma mesa em que o pessoal estava fumando no terraço externo, e ninguém foi lá reclamar. Renata acha que só tinha cartazes na parte de dentro, que era fechada; a parte externa era aberta.
Quando saímos do restaurante, ainda andando por Covent Garden, de repente vimos um monte de gente correndo em direção ao local de onde a gente tinha vindo. A curiosidade nos levou a correr também (segundo Marianne, como a gente estava em Londres, não podia ser um arrastão), e aí a gente viu que era um passeio ciclístico em que (quase) todo mundo estava nu! E eles estavam escoltados pela polícia. Fico pensando se algum dia algo do tipo acontecerá no Brasil: dezenas de pessoas nua pedalando pelas ruas do centro de alguma cidade. Depois entramos nos jardins da igreja de St. Paul (São Paulo), que fica em frente ao mercado de Covent Garden. Cheio de flores e com pessoas conversando sentadas na grama. De Covent Garden passeamos um pouco e fomos até a Forbiden Planet, uma loja com bonecos de filmes, pôsters e outras coisas mais: uma loja nerd, como chama Marianne. Como Renata queria ver se achava os DVDs de Comissário Rex, fomos a uma loja de discos, onde terminamos comprando a trilha sonora de Juno por £ 5,00. Em seguida fomos até Leicester Square tomar um sorvete. Por recomendação de Marianne, fomos até o Café Ciao, uma sorveteria italiana, que não fica exatamente em Leicester Square, mas numa rua paralela. O sorvete era normal, nada de mais.
Como íamos sair cedo para Bath no dia seguinte, resolvemos pegar logo os bilhetes do trem, para evitar problemas na hora. Tudo bem que éramos 4 pessoas, mas recebemos 17 bilhetes! Dois para cada pessoa, para cada trecho, e mais um com o recibo da compra. Já que já tínhamos pego os bilhetes para Bath em Paddington, resolvemos ir a St. Pancras pegar logo os bilhetes do Eurostar. Em St. Pancras só recebemos 2 bilhetes, como seria de se esperar! Aproveitamos para tirar fotos da estação, em particular de duas estátuas que estavam lá em cima. De lá voltamos para Paddington, para comprar umas comidinhas no Sainsbury's, e fomos exaustos para o hotel. Chegamos no hotel às 21h00, a hora em que Zarzar deveria chegar, mas ele ainda não tinha chegado. Ele só foi chegar às 22h00. Conversamos um pouco e fomos dormir. Nesse dia, não consegui botar as baterias das câmeras e do notebook para carregar. Zarzar até tinha um adaptador para o sistema inglês e o quarto tinha uma tomada no padrão continental, mas não teve jeito.
15 de junho de 2008 – domingo
A gente tinha combinado de se encontrar com Marianne no trem, mas assim que chegamos a Paddington, a gente a viu. Antes de embarcar fizemos umas compras de comida no Sainsbury's da estação e Marianne foi comprar um café. Por conta disso, ela quase perdeu o trem. A viagem para Bath foi tranqüila, com algumas paradas pelo caminho. Mais ou menos no meio do caminho vimos uma usina nuclear e várias paisagens bonitas. Naturalmente, Renata dormiu a viagem quase toda.
Em Bath, pegamos um mapa da cidade na estação de trem e seguimos para os banhos romanos, a principal atração de Bath. Apesar de um pouco caro (informar o preço), é um passeio bem interessante. A parte superior do prédio não é do tempo dos romanos, mas uma construção do final do século XIX. Antes dos romanos, o local era utilizado pelos Celtas. A água dos banhos é quente e aparentemente bem suja. Há avisos dizendo que as pessoas não devem nadar lá por causa dos microorganismos (o fundo da “piscina” é cheio de lodo).
No final do passeio, cada um teve direito a um copo da água (limpa, é claro) que abastece a piscina. A água era quente e, segundo Renata, tinha gosto de clara de ovo. Ela não conseguiu tomar. Mas os romanos tomavam um bocado e achavam que curava um monte de coisas.
Depois dos banhos fomos à catedral de Bath. A entrada é gratuita, mas sugere-se uma doação de £ 2,50, para ajudar a manter a igreja. Marcos não quis pagar nem entrar sem doar nada, então resolveu esperar do lado de fora. Na entrada ficava um padre bem simpático, que sabia que no Brasil se fala português e que nos deu um papel em português com informações sobre a igreja, além de nos incentivar a tirar muitas fotos. Gosto de locais em que se pode tirar fotos!
Após a igreja, fomos almoçar num pub local – Marcos estava morrendo de vontade de comer um Fish and Chips. Renata pediu o mesmo prato, que, por sinal, era enorme. Como já passava das 15h00, o primeiro pub em que fomos, não estava mais servindo comida. O interessante sobre o sistema dos pubs é que se faz o pedido no balcão, informando o número da mesa; o pagamento é feito nessa hora e as bebidas também são entregues neste momento. O garçom só leva o prato para a mesa. Ah, se a gente quiser algo mais, tem que ir no balcão, pagar e levar para a mesa. O prato era imenso. Eu pedi um prato de carne, que estava gostoso. Mas não dei sorte com a bebida. Eu queria uma ale forte, mas fui informado de que eles não vendiam ale, então pedi um Strongbow – pelo nome, pensei que fosse uma cerveja boa, mas não era cerveja, apesar de ser vendida junto com as cervejas: era uma cidra. Não chega a ser ruim, mas eu não pediria de novo. Depois eu pedi uma outra cerveja, que também não me agradou muito.
Então fomos passear pela cidade, passamos por uma ponte que tem lojas dos dois lados, parecendo-se com uma rua normal e andamos ao longo do rio. Perto da hora de partir resolvemos tomar um sorvete que Renata tinha visto mais cedo (um que tinha uma vaquinha como símbolo), mas já passavam das 18h00 e a sorveteria estava fechada.
De Bath fomos direto para a cerimônia das chaves, na Torre de Londres. Apesar de só termos ingresso para 3 pessoas, Marcos tentou arriscar entrar, seguindo sugestão de Marianne – a cerimônia das chaves é de graça – e funcionou. O guarda quase o barrou, explicando que o ingresso era pra três pessoas, mas Marcos disse que achava que era para quatro – Marianne e mais três (plus 3, como é comum nos EUA). O guarda foi gentil e nós quatro pudemos ver a cerimônia. A cerimônia em si demora 7 minutos e meio, mas antes um Beefeater explica como será a cerimônia e depois ainda conta uma história de terror acontecida dentro da Torre de Londres, de forma que o processo todo demorou cerca de 30 a 40 minutos. O ponto negativo da cerimônia das chaves é que é proibido tirar fotografias.
Fomos para o quarto triplo no hotel. Bem apertado e o chuveiro não era tão chique quanto o do outro quarto.
16 de junho de 2008 – segunda-feira
Demoramos a sair, pois estávamos bem cansados, e fomos para Kew Gardens. O caminho é bem tranqüilo, um único metrô saindo de Earl's Court. A localidade é muito bonita e o parque, que fica a uns 250 metros da estação, é lindo e caro1. Lá em Kew Gardens tem um pequeno aquário, e muitas flores e plantas, afinal é um jardim botânico. Havia uma atração temporária, que era um passeio pelas cúpulas das árvores (eles instalaram umas passarelas bem altas). Infelizmente o elevador não estava funcionando, de forma que tivemos que subir um bocado de degraus. Como tínhamos combinado de nos encontrar com Marianne para fazer piquenique no Hyde Park, não pudemos ver tudo que há em Kew Gardens. Mas uma ou duas horas a mais não seriam mesmo suficientes.
Chegamos atrasados para o encontro com Marianne no memorial do príncipe Albert, em frente ao Albert Hall, pois ainda paramos para comprar o material da farofada. Chegando lá, fomos até umas mesas que ficam ao lado do restaurante Dell, na Serpentine, com uma passagem pelo memorial da princesa Diana, que, diga-se de passagem, é bem fraquinho. Enquanto estávamos na mesa, um esquilo veio até junto da gente e subiu no banco em que Renata estava sentada. Foi legal. Depois fomos dar pão aos patos, na beira do lago de Hyde Park (the Serpentine). Marcos foi embora de madrugada, porque o vôo dele saia de Heathrow às 7 horas da manhã.
17 de junho de 2008 – terça-feira
Acordamos tarde e fomos para o Museu de História Natural. Depois fomos para o O2 ver a exposição de Tutankhamon. Resolvemos ir de barco pelo Tâmisa. Descemos do metrô em Westminster, mas o barco saía de Embankment. Estávamos atrasados, mas tínhamos lido que o barco demorava uns 30 minutos e o homem do barco nos disse que eram 45 minutos. Iríamos chegar quase no limite da hora que tínhamos para entrar na exposição (entre 15h00 e 15h30), mas ainda teríamos uns 10 minutos de folga. Só que a viagem demorou cerca de 1 hora. A paisagem é bonita e o passeio de barco vale a pena (principalmente por não ser muito caro, e o travelcard do Oyster ainda dá desconto), mas como meio de transporte não é a melhor opção. Chegamos no pier do O2 às 15h35 e Renata saiu correndo feito uma desesperada – parte de nosso atraso foi porque ela quis fazer compras na loja do Museu de História Natural, e lá ela não foi objetiva. De qualquer forma, chegamos após a hora limite, mas não tinha ninguém na fila, e ainda foram super gentis conosco, recomendando que Renata se sentasse um pouco e bebesse água, já que ela estava esbaforida. A exposição foi muito legal, mas a famosa máscara de ouro de Tutkhamon não estava em exibição. O outro ponto negativo era o fato de que não se podia fotografar. Fora isso, a exposição foi fabulosa. Todas as peças estavam em perfeito estado de conservação.
Na volta para o centro de Londres, pegamos o metrô. Encontramos Marianne em frente à estátua de Sherlock Holmes, na saída da estação de metrô Baker Street, e fomos andando até o Regent's Park, que fica bem perto. Antes, comemos num pub que fica ao lado da estação de metrô. Foi bem legal. O parque é muito bonito, cheio de flores e com um belo lago. Ficamos no Regent's Park até a hora de fechar e quase não conseguimos sair de lá, pois estávamos na Inner Circle Road. Depois visitamos a casa de Marianne, que tem uma vista muito legal, no topo do prédio, que pode ser alcançado pela saída externa cozinha: dá para ver a London Eye.
18 de junho de 2008 – quarta-feira
Windsor. Foi a primeira vez que comi Fish and Chips, e segundo Renata, que desta vez pediu salsichas, dei sorte, pois esse foi o melhor fish and chips que ela já experimentou. Infelizmente não é permitido fotografar dentro dos quartos do palácio de Windsor, mas já deu para tirar muitas fotos do lado de fora. Enquanto estávamos visitando os apartamentos, a família real, incluindo a rainha e o príncipe Charles estava entrando num comboio de carros para deixar o palácio. Não consegui vê-los, apenas o cortejo de carros.
Desta vez marcamos de nos encontrar com Marianne em Picadilly Circus, junto à estátua de Venus. Ela demorou um pouco a chegar e fomos tentar ligar para ela de um orelhão. Definitivamente eu não me dou muito bem com esses telefones públicos da Inglaterra: coloquei uma moeda de 50p (o mínimo eram 40p, mas eu não tinha mais trocado) e liguei para Marianne: chamou, chamou e de repente entrou uma gravação de que o número não estava atendendo. Neste momento, o telefone me cobrou 40p. Como eu já sabia que o telefone não troca o seu dinheiro, fiquei ouvindo a gravação até acabar o resto de meu crédito de 10p. Quando voltamos à fonte (telefonei de dentro do Trocadero), Marianne estava lá. Passeamos pela Regent Street, indo até a loja da Apple e depois à Himleys. Na Himmleys há brinquedos para todos os gostos, inclusive uma série de coisas ligadas a Harry Potter, como varinhas “mágicas”, bengalas etc. De lá fomos andando até Leicester Square, para tomar sorvete na Häagen-Dasz. No caminho passamos por Carnaby Street, Chinatown e o Soho. O Soho é cheio de sex shops. Lembra um pouco Pigale, em Paris. Antes do sorvete comemos uma pizza na Bela Italia. A pizza não estava muito boa (faltava queijo), mas matou a fome.
19 de junho de 2008 – quinta-feira
Fomos para o Richmond Park. Chegar lá não é das tarefas mais fáceis, principalmente porque queríamos chegar pelo Roehampton Gate, que é onde fica a loja que aluga bicicletas. Uma bicicleta custa £ 10,00 por duas horas (uma hora seriam £ 8,00 e 3 horas, £ 13,00). Pegamos um metrô e depois um ônibus, mas da parada de ônibus não havia nenhuma indicação de como chegar no parque. Fomos andando para um lado até que achamos um casal de muçulmanos. O homem nos disse que tínhamos andado para o lado errado, que precisávamos voltar e dobrar no primeiro cruzamento. Enquanto o homem nos explicava, sua esposa continuou andando. Ficamos um pouco para trás, apesar de estarmos indo, agora, na mesma direção que eles. Já perto do sinal, o homem parou para nos indicar que devíamos dobrar ali e seguir em frente – e a mulher, mais uma vez, não parou. Andamos alguns minutos e chegamos a uma bifurcação. Escolhemos um lado e fomos andando. A primeira pessoa que encontramos não sabia onde ficava o parque. A segunda, uma mulher empurrando um carrinho de bebê, nos disse que estávamos andando para o lado errado, que tínhamos que voltar à bifurcação e seguir para o outro lado. Novamente ficamos para trás, apesar de passarmos a andar no mesmo sentido que essa mulher. Um pouco mais a frente, ela parou para reforçar o caminho que devíamos tomar. Eu realmente gosto desta simpatia dos ingleses. Fizemos um pequeno lanche no parque e alugamos as bicicletas. Seguimos pela trilha, mas nada de avistar nenhum veado. Após mais ou menos 1 hora, chegamos ao Richmond Gate, então resolvemos voltar, para poder devolver a bicicleta, apesar de não termos visto nenhum veado. Seguimos agora não por uma trilha, mas por um caminho pavimentado que margeia a estrada que corta o parque. No meio do caminho encontramos dezenas de veados, de ambos os lados da pista. E de vez em quando um pequeno grupo atravessava a estrada, forçando os carros a pararem, O engraçado é que os mais velhos parecem parar para ver como está o trânsito e atravessam bem devagar, chegando a parar no meio da rua; enquanto que os mais novos simplesmente correm o máximo que podem, para atravessar a estrada, sem parar para olhar sem vem carro ou não. E os muito pequenos, parecem meninos saindo da escola. Um adulto fica na beira da estrada, os pequeninhos se agrupam junto do adulto, então o adulto vai calmamente para a rua, parar o trânsito, enquanto os pequenos, já com o trânsito parada, atravessam, em geral correndo. Depois disso devolvemos as bicicletas e fomos tomar sorvete e saber a melhor forma para voltar para o centro de Londres. A mulher que nos vendeu o sorvete nos indicou uma parada de ônibus que tinha ônibus direto para South Kensington e Vitória e que ficava perto da Rohempton Gate. Não sei porque o site do transporte de Londres não nos indicou essa opção para vir para o Richmond Park.
Encontramo-nos com Marianne em Trafalgar Square e fomos para o St. James Park, junto com uma amiga dela: Boneca. No St. James Park fizemos uma farofada e demos comida para os patos, cisnes e esquilos. Depois fomos a um pub perto do Parlamento Britânico, onde ficamos bebendo e conversando. Tomei dois pints de Foster's – não sei porque não comecei bebendo essa cerveja nos outros dias. Bem melhor que as outras que eu tinha experimentado.
20 de junho de 2008 – sexta-feira
Último dia em Londres. Acordamos tarde, para variar e fomos arrumar as malas para deixar o hotel. Fizemos o check-out, deixamos as malas na recepção e fomos aproveitar nossas últimas horas em Londres, com uma visita ao Green Park, o Palácio de Buckhingan e o St. James Park, onde Renata ficou dando pão para os patos. Hoje vimos os pelicanos2, em compensação, quase não vimos esquilos. Retornamos para o hotel, pegamos nossas malas, e fomos para St. Pancras, de metrô. No Eurostar há controle de passaporte pela polícia francesa – por sinal, o guarda foi bem simpático: ao ver que eu era brasileiro, ele me disse “Bom dia!”. Não é exatamente um controle de passaporte, mas recebemos um carimbo de saída da Inglaterra em nosso passaporte. Enquanto atualizo o diário, estamos no Eurostar, com destino a Bruxelas e, para variar, Renata está dormindo.
Chegamos em Bruxelas 2 horas e 4 minutos depois de termos saído de Londres. Muito melhor que se tivéssemos ido de avião. O bilhete do Eurostar dá direito a pegarmos um trem para qualquer outra estação da Bélgica, o que nos fez economizar alguns euros. Quando fomos pegar o trem para Antuérpia, uma decepção: a escada rolante estava quebrada e tínhamos cerca de 5 minutos para subir com as malas. Não foi fácil, mas conseguimos pegar o trem. Quando chegamos em Antuérpia, Werner e Jorrit já estavam nos esperando na plataforma. Eles imaginaram que a gente consegueria pegar o trem que pegamos, apesar do pouco tempo para a conexão. Em Antuérpia-Bercham, outra decepção, a escada rolante também estava quebrada – mais malas para carregar.
Werner estacionou o carro no meio da rua – literalmente, já que entre o local de estacionamento e a calçada fica uma pista de bicicletas. De lá fomos para a casa de Werner, onde comemos uma deliciosa macarronada. No caminho eu vi muitas pichações e algum lixo pela rua. Não era essa a lembrança que eu tinha da Bélgica – suja e sem as coisas funcionar direito. Perto da casa de Werner fizeram uma mudança na pista, colocando umas grades para isolar a pista do bonde, ficando apenas uma pista em cada sentido para os carros – lembrou-nos das obras recentes feitas na Conde da Boa Vista, em Recife.
21 de junho de 2008 – sábado
Quando Werner nos perguntou o que queríamos fazer, tínhamos sugerido ir a Gent, mas ele disse que não seria possível, sem nos explicar o porquê. ;já na Bélgica, ele nos explicou que não poderíamos ir a Gent porque estaria acontecendo um evento da versão belga de Betty, a Feia, em Gent. Por isso ele sugeriu que fôssemos a Breda, uma cidade holandesa a menos de 60 km da casa deles. Passamos nosso sábado em Breda, mas pouco antes de chegarmos lá, paramos numa grande loja de departamento, já na Holanda, pois Werner queria comprar um DVD. Breda é uma cidade bem bonita, ainda que não tenha alguma construção realmente impressionante. A principal igreja da cidade é estranha, pois não tem basicamente nenhuma decoração, por se tratar de uma igreja protestante da Holanda. A visita a essa igreja é de graça, entre abril e setembro. Depois da igreja, fomos lanchar, antes de fazer um passeio a pé pela cidade. Comemos num dos vários restaurantes na praça do mercado de Breda. O fato mais interessante é que estava acontecendo um casamento, ou pelo menos a recepção, no bar ao lado. O passeio pela cidade durou cerca de 2h30min e custou 3 euros por pessoa. Foi bem interessante. Destaque para o noviçado, o parque, o castelo de Breda e o bar bicicleta. O bar bicicleta é um bar móvel, onde os fregueses pedalam e o bar vai passeando pela cidade. Bem interessante.
Ah, Breda estava toda enfeitada para o jogo que iria acontecer de noite entre Holanda e Rússia3, pelas quartas de finais da Eurocopa. Numa praça, um bar armou até uma arquibancada, para as pessoas verem o jogo. Aparentemente, os holandeses se interessam mais por futebol que os brasileiros.
De noite, já de volta a Mortsel, na casa de Werner, compramos uma batatas-fritas (frituur) na esquina e comemos em casa. Tanto a minha, como a de Renata vieram acompanhadas de bratwurst, mas outros acompanhamentos e a inclusão de molhos era possível.
O dia todo, e em particular à noite, a temperatura estava bastante agradável. A propósito, hoje foi o dia mais longo do ano, já que estamos no solstício de verão. Aparentemente, esta data não é celebrada na Bélgica.
22 de junho – domingo
Hoje dormimos até um pouco mais tarde, tomos café da manhã e empacotamos nossas coisas. Depois, fomos almoçar na casa dos pais de Jorrit. Eles prepararam um churrasco, que comemos no jardim do prédio. Por sinal, o belo jardim do prédio em que os pais de Jorrit moram é cuidado pelo pai dela. Durante o almoço, descobrimos que estamos carregando o tripé à toa: a cabeça dele, onde se fixa a máquina, ficou em Recife. Depois do almoço e da sobremesa, fomos para a estação de Antuérpia-Bercham, pegar um trem para Bruxelas (6,40 euros, cada passagem), de onde saía nosso trem para Colônia. Desta vez, tanto a escada rolante de Bercham, quanto a de Bruxelas estavam funcionando. Não tivemos dificuldades em achar de onde saía o ICE para Colônia e é em algum lugar, provavelmente na Alemanha, dentro do trem, que estou escrevendo o diário. A propósito, desta vez Renata não está dormindo.
A chegada em Colônia foi meio conturbada porque a gente tinha que baixar as malas do bagageiro em cima de nossas cabeças e só fomos avisados que estávamos chegando bem em cima da hora de o trem parar. Ou melhor, do que deveria ter sido a hora do trem parar, pois um pouco mais na frente, o trem ficou parado no meio dos trilhos porque a plataforma em que ele deveria parar estava ocupada por um trem atrasado. De dentro da estação dá para ver a catedral de Colônia – a estação é colada a ela. Saindo da estação, perguntamos onde ficava a rua de nosso hotel e fomos até lá, andando, já que o hotel fica próximo da estação.
O processo de check-in foi bem rápido e logo fomos encaminhados para nosso quarto. Bem mais amplo que o da Inglaterra. E tinha um quadro no meio do quarto. Assim que deixamos nossas malas no quarto, fomos dar uma volta na cidade, para aproveitar o fato de que só escurece depois das 22h00 e depois tentar tirar umas fotos da Catedral à noite, mesmo sem tripé.
Saímos andando meio que sem rumo, primeiro passamos na igreja de Santa Úrsula, que fica ao lado do hotel, depois fomos em direção a uma torre alta que tem na cidade, provavelmente de televisão, até o Media Park. De lá retornamos em direção à Catedral, pois já estava começando a escurecer. No meio do caminho começou a trovoar, de forma que resolvemos voltar ao hotel. Já perto do hotel, começou a chover, mas não o suficiente para nos molhar antes de chegarmos a nosso destino. Então fomos para o quarto assistir ao final do jogo Itália e Espanha, pelas quartas de finais de Eurocopa (a Espanha ganhou nos pênaltis). Durante o jogo choveu e relampejou bastante, mas quando a partida terminou, a noite estava limpa. Como estávamos com fome e Renata queria ligar para o pai dela, saímos mais uma vez. Fizemos a ligação e fomos dar uma volta ao redor da Catedral. As únicas coisas abertas que vimos foi uma McDonald's e um restaurante que vende Kebabs. Como a cara desse último não era das melhores, fomos para a McDonald's (dois cheeseburgers a 1 euro cada um, e uma Pepsi de 500 ml a 1,99 euro – bebidas, exceto vinhos, são muito caras na Europa).
23 de junho – segunda-feira
Tomamos café da manhã no hotel, fizemos o check-out, deixamos as malas numa sala e fomos visitar a Catedral de Colônia. Por fora ela parece ser maior que por dentro, mas não que por dentro ela seja pequena. A Catedral é tão grande que é até complicado fotografá-la por inteiro. O absurdo é como tem construções modernas junto da catedral, inclusive a estação de trem e um museu, que ficam a poucos metros dela. Mas o pior, mesmo, é uma loja de material fotográfico, que é um verdadeiro puxadinho da Catedral, só que sem respeitar a sua arquitetura. Por dentro, a Catedral tem muitos vitrais e turistas. Passamos cerca de 1 hora e meia dentro dela e fomos resolver o aluguel do carro, na Europcar dentro da estação de trem.
Há três locadoras de veículos na estação de trem: Europcar, Avis e Sixt. Enquanto estávamos sendo atendidos pela mulher da Europcar, as atendentes das outras duas locadoras foram fumar no cantinho do escritório de turismo da estação, apesar de ser proibido fumar em toda a estação de trem de Colônia. O carro que recebemos foi um Punto preto.
Já com o carro, passamos no hotel para pegar nossas malas e fomos direto para Bingen. Saindo de Colônia, vimos que a cidade parece um canteiro de obras: ruas, calçadas, giradores. Nos desentendemos com o GPS (que fala português) algumas vezes, mas conseguimos achar a saída da cidade. A viagem na estrada foi tranqüila. O estranho foi estar a 120 km/h e ser ultrapassado como se estivéssemos a 40 km/h. E olhe que essa história de que as autobahns não tem limite de velocidade parece ser lenda, pois sempre víamos placas limitadoras de velocidade – geralmente 130 km/h, mas algumas vezes menos, principalmente nos trechos com alguma obra. Quase na chegada em Bingen é que teve um trecho maior em obras e fomos deslocados para uma pista em que só passava um carro e não tinha saídas. Esse desvio só terminou alguns metros antes da saída para Bingen – Renata chegou a ficar preocupada se não iríamos perder essa saída.
Chegando em Bingen, um problema: não tínhamos o endereço do hotel, apenas seu nome. Paramos num posto de gasolina, mas a atendente não conhecia o hotel. Terminamos achando o ponto de informações turísticas – graças ao GPS –, onde conseguimos descobrir o endereço do hotel. O hotel em Bingen superou as nossas expectativas. O quarto é muito grande e com uma bela varanda, com vista para o castelo da cidade e uma igreja. Deixamos nossas malas no quarto e fomos atrás do barco para Koblenz. Andamos uns 10 minutos e chegamos ao pier da KD – saindo de nosso hotel, o segundo pier da cidade. Compramos os bilhetes para o navio e esperamos 20 minutos pela chegada do navio.
Nota de Renata: na verdade, chegar a Bingen já foi quase um problema porque ainda em Colônia nos demos conta de que não tínhamos o endereço do hotel, e como a gente estava sem acesso à Internet, não havia muito o que fazer. Como a elfa só funciona com um endereço específico (não basta dizer a cidade), colocamos “Bahnhofsttrasse” (segundo Renata, toda cidade alemã tem uma rua com esse nome; de fato, havia uma em Bingen).
O passeio pelo Reno entre Bingen e Koblenz é muito bonito, com muitos castelos e cidadezinhas bonitas. Decepção só com Loreley, que não tem nada demais. Apesar de toda a beleza, o passeio é um pouco cansativo. Metade do tempo, ou seja, duas horas, estaria de ótimo tamanho. O dia estava muito bonito, bem ensolarado. Fomos no vapor Goethe. O barco atrasou uns 15 minutos a sua chegada em Koblenz. Como a estação de trem não fica muito perto do pier em que o barco atraca, pegamos um táxi: uma van da Mercedes. O motorista falava inglês e foi dando uma de guia turístico no trajeto. A corrida custou 6,20 euros, mas arrendondamos para 7 euros o pagamento. Se tivéssemos ido a pé, ficaríamos bastante cansados e não sei qual trem conseguiríamos pegar, já que os dois trens que saíam para Bingen iam sair apenas alguns minutos após a hora em que a gente chegou na estação. No guichê de informações, soubemos que podíamos pagar as passagens dentro do trem, e foi isso que resolvemos fazer, até para ganhar tempo, já que o trem rápido ia sair em poucos minutos – o trem rápido ia direto de Koblenz para Bingen, enquanto que o lento fazia umas 5 paradas antes. Para nossa surpresa, primeiro parou um trem que estava 15 minutos atrasado em nosa plataforma, e nosso trem chegou depois, também atrasado. Essa história de que os trens europeus não se atrasam é lenda. Na Bélgica pegamos um trem atrasado e aqui na Alemanha vimos vários trens atrasados. A viagem do trem foi como ver um filme sendo rebobinado rapidamente, já que todo o percurso é feito ao longo do Reno, pelas mesmas paisagens que vimos na ida. A diferença é que em vez das 4 horas do barco, o trem faz o percurso em 30 minutos.
Jantamos numa pizzaria quase em frente ao hotel, cujo símbolo tem um xis igual ao de Arquivo-X e voltamos para o hotel, para dormir. Um dos poucos defeitos do hotel é que não tem alarme no quarto, nem mesmo na TV.
24 de junho – terça-feira
Acordamos às 8h00, para tomar café. A vista do restaurante é melhor ainda que a do quarto, pois também dá para ver o rio (não o Reno, mas o outro rio da cidade). O café estava bastante bom. Arrumamos as coisas e saímos do hotel com as malas. Seguindo as instruções da dona do hotel, fomos a um mirante de onde tivemos uma bela vista do Reno em duas posições (o mirante fica virado para um ponto onde o rio faz uma curva). Pegamos a estrada em direção a Basel.
Após algumas horas de viagem, ficamos com fome e resolvemos parar para almoçar. Pedimos à elfa para mostrar os restaurantes próximos ao lugar onde estávamos e Renata escolheu um dos primeiros da lista, que tinha um nome bem alemão. O restaurante era bom, era proibido fumar dentro dele, e a senhora que nos atendeu, bastante simpática. Mas legal mesmo era a cidade onde ele ficava: Speyer. Não resistimos e fomos dar uma volta na cidade depois de almoçar.
Voltamos para a estrada e precisamos abastecer o carro. Renata foi ao banheiro e ficou impressionada com o sistema de limpeza pós uso. Márcio foi ao banheiro depois e teve que filmá-lo.
Chegamos em Basel por volta das oito da noite e achamos a casa de Kelnner sem maiores dificuldades. O problema é que Renata tocou o interfone e não aconteceu nada: ninguém atendeu e o aparelho não fez nenhum barulho (como se não estivesse chamando). Conclusão: ou o interfone estava quebrado ou (o mais provável, e que se confirmou mais tarde) Kelnner não sabia que a gente ia chegar nesse dia. De uma forma ou de outra, tínhamos que ligar pra ele.
Encontramos um orelhão, mas como só tínhamos cédulas de francos suíços Renata tentou telefonar usando o cartão de crédito, mas não conseguiu. Achamos um pequeno mercadinho na rua e, após tentar mais uma vez o interfone da casa de Kelnner, fomos comprar um cartão telefônico. O vendedor não tinha, então compramos uma Coca-Cola só pra trocar o dinheiro e arrumar algumas moedas.
Voltamos ao orelhão, e quando tudo parecia resolvido surgiu mais um problema: nenhum dos números que Kelnner deu (celular e trabalho) funcionava. Aí Márcio foi mexer numa maquininha ao lado do orelhão, e na opção de enviar mensagens SMS ele percebeu que aparecia um zero na frente do número. Foi assim que ele descobriu como fazer a ligação. Kelnner atendeu o celular. Ele estava na universidade e realmente não sabia que a gente ia chegar nesse dia. Ele achava que seria só na sexta-feira. É que provavelmente nos esquecemos de informá-lo dessa pequena mudança de planos. Mas deu tudo certo, e ele chegou rapidinho, porque a universidade fica bem perto de onde ele mora. Coincidência: ele estava usando uma camisa de Arquivo-X.
Deixamos as malas na casa de Kelnner e fomos dar uma volta pela cidade. Procuramos um lugar para comer, mas como na Suíça não há nenhuma restrição ao fumo em restaurantes (na verdade, eles parecem até incentivar, porque toda mesa tem um cinzeiro), fomos parar no Burger King (o ar puro é uma das poucas vantagens dos fast foods americanos; pelo menos nesse aspecto eles são saudáveis). Ficamos ainda andando pela rua até mais ou menos meia-noite.
25 de junho – quarta-feira
Acordamos não tão cedo quanto pretendíamos e arrumamos as coisas para seguir viagem para Hohenschwangau. Antes disso, fomos ao Coop – um supermercado suíço –, na rua de Kelnner, para comprar umas coisinhas pro café da manhã. O leite suíço e bom, mas gostamos mais do inglês.
A viagem para Hohenschwangau foi um pouco mais longa do que esperávamos porque havia alguns trechos em obras na estrada. No meio do caminho, a elfa nos tirou da autobahn e nos colocou numas estradinhas estreitas no meio do mato. Foi legal, porque as paisagens eram lindas. No percurso, acabamos entrando na Áustria e tivemos que pagar pedágio. Na fronteira, o guarda nos pediu passaporte e carteira de motorista. Quando Márcio entregou a carteira internacional, ele pediu pra ver a nacional – aparentemente, não para comparar com a internacional, mas para verificar a nacional, como se a internacional de nada adiantasse..
Quase chegando à cidade babamos com um enorme lago no meio do caminho, rodeado de montanhas e picos nevados, e cheio de pessoas tomando banho. Tenho a impressão de que era perto de Füssen.
O hotel em Hohenschwangau era bastante bom, e nosso quarto tinha uma bela vista do castelo de Neuschwanstein, conforme prometido. Comemos salsicha com batatas-fritas (Márcio pediu currywurst e Renata foi de bratwurst) numa lanchonete junto do hotel e fomos dar uma volta. Encontramos um lago menor do que o outro, mas também cercado de montanhas – o Alpsee. Havia pessoas nadando, gente andando de barco, e também havia patinhos. A água era absurdamente transparente e a gente viu um monte de peixes sem nem entrar na água. Ficamos babando com a paisagem e depois andamos um pouco no meio das árvores que ficavam nas montanhas junto do lago. Como estávamos de bermuda e havia vários galhos no chão, isso nos rendeu alguns arranhões nas pernas, mas valeu a pena.
Jantamos no restaurante do hotel. A comida estava boa, mas era muita, e a gente não sabia se podia dividir o prato, então acabou sendo muito. Ficamos vendo Alemanha x Turquia (semifinal da Eurocopa) numa sala do hotel perto do restaurante. Havia um grupo grande de americanos torcendo pela Alemanha, que acabou ganhando por 3x2. Fomos dormir por volta das 23h.
26 de junho – quinta-feira
Acordamos cedo, por volta das 7h, porque nosso horário de entrada no castelo era às 9h15. Era preciso buscar os ingressos no Ticket Center com pelo menos uma hora de antecedência, e ainda ir até o castelo, que fica perto do hotel, mas era preciso subir um bocadinho. O dia amanheceu com neblina e garoa, o que atrapalhou um pouco, mas pelo menos não estava muito frio. Márcio comprou umas capas (uns ponchos, na verdade – 2,50 euros, cada uma) de chuva numa lojinha ao lado do hotel, que foram bastante úteis, apesar da péssima qualidade com que eram feitas.
A idéia inicial era pegar uma charrete até o castelo, mas não havia nenhuma pronta para sair e ficamos com medo de perder a hora, então resolvemos ir andando mesmo. Foi meio cansativo, mas viável, até porque, apesar da subida, o castelo de Hohenshwangau realmente ficava perto do hotel. A visita só podia ser feita com um guia, e é por isso também que os ingressos são vendidos para uma hora específica. Nosso grupo era pequeno e o guia era simpático. O castelo era bonito, mas já vimos mais legais, e a visita foi rapidinha.
Descemos do castelo e pegamos uma charrete para Neuchwanstein. Valeu a pena, não só porque a gente evitou levar chuva até lá, mas também porque a subida era bem puxada. E olha que ainda tivemos que andar um bom pedaço do local de desembarque das charretes até a entrada do castelo. Se tivéssemos ido de ônibus – a outra possibilidade – teríamos andado mais que indo de charrete, ainda que teríamos poupado 1,40 euros.
Tivemos o azar de cair num grupo em que estava também um monte de gente de uma excursão da Indonésia. O pessoal era meio mala, e tirava foto mesmo sem ser permitido. Mesmo após do fora que a guia deu em um deles, alguns ficavam para trás quando o grupo ia para outro cômodo pra ficar tirando fotos da sala anterior, longe dos olhos da guia. Márcio foi falar com ela e dedurou o povo. Ela não tomou nenhuma medida drástica, mas aparentemente ficou mais atenta.
O castelo é realmente muito bonito; é uma pena que a visita é rápida, e em algumas salas a gente passou direto, sem ter tempo de observar direito. Quando saímos do Neuschwanstein, a neblina e a chuva haviam melhorado bastante, e ai nós fomos até a Marienbrück. Valeu a pena. A vista de lá é maravilhosa. Dá pra ver o castelo e uma queda d'água. Voltamos de ônibus, que passava lá perto.
Passamos no hotel para deixar as capas e o livrinho que compramos no Neuschwanstein, e pegamos o carro. Fomos a Schwangau para passear um pouco, almoçar e tentar achar um supermercado para comprar umas comidinhas pra jantar. Fomos ao centro de informações turísticas e coletamos alguns folhetos interessantes sobre a região (a maioria deve servir, eventualmente, para uma próxima viagem). Um folheto em particular me chamou a atenção: um que divulgava uma loja de queijos. O senhor que nos atendeu explicou onde era (ficava bem perto – na verdade, Schwangau é um vilarejo, de forma que nada fica realmente distante) e a gente foi lá. Havia dezenas de queijos diferentes. Provamos três (sugestão da moça que nos atendeu) e compramos dois deles e mais um pedaço de emental. Também compramos pão e leite (em garrafinha de vidro). Tudo isso, mais dois chocolates quentes que tomamos lá na hora custou apenas 9,93 euros. O chocolate quente estava bom; não estava ótimo, mas pelo menos era feito com leite.
Com tudo o que compramos, não precisamos mais ir a um supermercado. Então fomos procurar um lugar pra comer. Acabamos escolhendo o restaurante de um hotel. Cada um de nós pediu salsichas com salada de batata. Tanto no centro de informações turísticas quanto na loja de queijos e no restaurante nos viramos direitinho com nosso alemão. Sehr gut! Depois de almoçar, voltamos para o hotel, onde ficamos assistindo à vitória da Espanha em cima da Rússia pela Eurocopa.
27 de junho – sexta-feira
O dia não amanheceu tão chuvoso quanto ontem, mas ainda estava nublado. Arrumamos nossas malas, pagamos o hotel (que Renata acha que foi mais caro do que tínhamos reservado) e fomos para um teleférico próximo. Da estação do teleférico se tem uma boa vista do castelo Neuschwanstein, mas do alto da montanha não conseguimos ver nenhum dos dois castelos de Schwangau. Lá em cima estava ventando muito e fazia um pouco de frio. Passeamos um pouco pela montanha, vimos uma galera saltar de parapente, tomamos sorvete num restaurante que fica no alto da montanha e descemos para seguir viagem de volta a Basel, com direito a uma passada em Lindau.
No caminho, obras nos desviaram do caminho e terminamos passando por um interior brabo, inclusive por estrada mão dupla de uma única faixa! Apesar de rodar um pouco mais do que pretendíamos, eventualmente chegamos a Lindau.
Lindau é uma ilha no lago Constança (Bodensee), na fronteira com a Áustria. A cidade é bonitinha, mas tivemos dificuldades em encontrar um bom lugar para comer. Terminamos almoçando uma salsicha comprada no meio da rua.
Seguindo caminho para Basel, passamos pela Áustria. De forma que quando chegamos a Basel, sugeri que fôssemos jantar em Mulhouse, só para dizer que tínhamos estado em 4 países num único dia (Alemanha, Áustria, Suíça e França – tudo bem que na Áustria só fizemos passar de carro, mas tá valendo). Chegamos em Mulhouse por volta das 22h00 e tivemos dificuldades em achar um restaurante aberto. Apesar de ser verão, os restaurantes fecham entre 21h30 r 22h00. Eventualmente encontramos um restaurante que ficava aberto até mais tarde, onde comemos tarte flambée – imensas, mas não especialmente saborosas, o que não quer dizer que estivessem ruins.
Na Place de la Réunion, no centro de Mulhouse estava armado uma “quadra” de vôlei de praia..Depois do jantar, voltamos para a Suíça e fomos dormir.
28 de junho – sábado
Resolvemos passear por Basel, mesmo. Kelnner nos levou às ruínas de um castelo, de onde se tem uma bela visão da cidade. Fomos de bonde até uma cidade na região de Basel e de lá fomos a pé, subindo um morro, em parte do caminho pelo meio de um bosque. Foi uma caminhada bastante cansativa, principalmente para Renata. Dava para ter feito o caminho quase todo de carro...
Como estávamos muito cansados, antes de visitar o forte, fomos a um restaurante que fica próximo, onde tomamos 2 litros de Coca-Cola, ao lado de um pasto com várias vacas – todas com chocalho no pescoço.
Para voltar, pegamos um ônibus até a estação de trem e de lá pegamos um trem para a SBB (principal estação de trem de Basel) – como havíamos comprado um cartão de uso para o dia todo (CHF 8,00, cada um), não tivemos que pagar nada a mais pelo ônibus ou trem. Na SBB, fomos à Media Market, uma super loja de eletrônicos, em que Márcio ficou babando pelas câmeras fotográficas (uma Sony Alpha 350, kit, por menos de CHF 900; uma Canon EOS 450, kit, por pouco mais de CHF 800, um Nikon D60 18-55 mm e 55-200 mm mais ou menos pelo mesmo preço e uma Nikon D40, kit, por CHF 499). Terminamos comprando um HD externo de 750 GB e 3 web-cams (uma para Renata, e as outras duas para a família dela).
Deixamos nossas compras em casa, colocamos nossas roupas de banho e fomos tomar banho no Reno. A água era gelada que só e havia muita correnteza, mas foi uma experiência muito interessante.
De lá, voltamos à SBB, para comprar pão e leite. Márcio terminou comprando algumas cervejas4, para ver durante a transmissão da decisão de 3º e 4º lugar da Eurocopa. Ao voltarmos ao apartamento de Kelnner, não estava passando jogo nenhum e até agora (02/07), não sabemos quanto foi esse jogo ou quem o venceu.
29 de junho – domingo
Pegamos o carro para ir a Constança. Paramos no centro da cidade e fomos em direção ao porto, onde há uma estátua giratória de uma prostituta, que fica girando o dia todo. Aparentemente, o serviço de resgate de Constança estava inaugurando umas lanchas novas e também estava fazendo uma espécie de quermesse. Comemos salsicha dessa “quermesse” e fomos fazer um passeio (rundfahrt) pelo lago Constança (Bodensee). O passeio é muito bonito e durou 45 minutos. De volta a Constança, passemos um pouco pela cidade e fomos pegar o carro para irmos a Mainau.
Mainau é uma ilha particular, cheia de flores e com uma entrada meio cara, mas que vale à pena, pelo que oferece. É um lugar muito lindo, cheio de flores e jardins, além de alguns animais como pôneis, coelhos e cabras.
Já perto das 17h00, fomos a um restaurante em que havia uma área para fumantes e outra para não fumantes, dentro de Mainau. Quando nos sentamos (na parte de não fumantes, naturalmente), fomos surpreendidos pela informação do garçom de que teríamos que ir para a área de fumantes, se quiséssemos ser servidos. Obviamente, fomos embora.
Saímos de Mainau com pressa, pois a previsão era de chegarmos um minuto antes do início da final da Eurocopa, mas ao cruzarmos a fronteira com a Suíça, levamos uma xaropada de 6 minutos (e nem ganhamos carimbo algum!). Márcio teve que passar um pouco dos limites de velocidade, a fim de não perdemos o início do jogo. Funcionou, e chegamos no apartamento de Kelnner na hora que o jogo estava começando. No final, a Espanha ganhou da Alemanha por 1 a 0.
30 de junho – segunda-feira
Berna. Um pouco de chuva, depois do almoço na McDonald's. Ida ao centro de Basel, em particular, ao Manor. A foto de todos devem pular da ponte. Henriete fechado, de novo. Jantar em Mulhouse.
1º de julho – terça-feira
Lucerna. Aqui, sim, tem cisnes. Passeio de trenzinho.
Titlis. No meio da neve, de camiseta. Tudo bem que estava fazendo 8ºC. Dentro da caverna de gelo, também de camiseta, a -1,5ºC.
Chuva de Granizo. Supermercado de beira de estrada. Brasileira no posto de gasolina. Jantar em Henriete. O guarda suíço da alfândega nos achou com cara de contrabandistas.
2 de julho – quarta-feira
Devolução do carro em Lörrach. Trem para a SBB. Comprar ou não comprar a câmera e a devolução das canetas com defeito. Táxi Mercedes. 20 kg cravados. A garrafa de Coca era lata. “Confusão” no embarque da EasyJet. Avião para Madrid. Recebemos o carimbo de entrada assim que o oficial da alfândega viu o visto para os EUA. Não nos foi feita nenhuma pergunta. Táxi no aeroporto de Madrid para a casa de Patrícia – um Skoda Octavia. Compramos o bilhete de trem para Segóvia pela internet, na casa de Patrícia.
3 de julho – quinta-feira
Fomos a Segóvia. Muita confusão no trem com relação aos lugares, para identificar os vagões. A estação de trem é bem longe do centro da cidade e demoramos quase o mesmo no ônibus para o centro da cidade, que o que gastamos para fazer o trajeto Madrid-Segóvia. O aqueduto é fantástico. A cidade é bem interessante. O alcázar (castelo) de Segóvia é bem legal. De noite saímos com Patrícia e seu namorado. Entre a estação de metrô e a casa de Patrícia vimos uma mulher com calcinha fio dental. Jantamos numa hamburgueria estilo anos 50/60 e depois fomos tomar alguma coisa num bar e restaurante brasileiro. Passamos pela saída de um show do Crowded House e tinha muitos carros parados em fila dupla – com o pisca alerta ligado, mas sem ninguém dentro. De volta, não conseguimos comprar as passagens para Toledo pela internet.
4 de julho – sexta-feira
De manhã cedo também não conseguimos comprar as passagens. Então fomos para a estação de trem (o trem para Toledo não sai da mesma estação que o de Segóvia). Não havia mais passagens para as 10h20 (o horário que queríamos), então compramos para as 12h20. O vagão que fomos era 1+2. A saída da estação é meio confusa, sem uma boa sinalização de onde saía o ônibus de linha para o centro histórico. Vimos um casal de gays de mãos dadas – o primeiro que vimos na Europa. Assim que descemos do ônibus fomo para o trenzinho. O lugar de comprar as passagens também não era bem indicado. Toledo nos “lembrou” de Jerusalém. As ruas são muito apertadas e ainda passam carros!!! A cidade é quase toda bege. Também nos lembrou de Roma. Na volta, no metrô havia uma galera estranha. Uma menina (que antes tinha dada uma sonora tapa na cara do namorado de cabelo estranho) desmaiou e saiu carregada do vagão. Um casal de lésbicas, uma das quais com a calça toda rasgada, que dava para ver a calcinha amarela. Elas se beijaram duas vezes durante o curto trajeto do metrô. Pedimos pizza na casa de Patrícia.
5 de julho – sábado
Bicicletas no Parque do Retiro. Hoje aconteceu a parada do orgulho gay da Espanha, mas fora algumas bandeiras com o arco-íris pela cidade, o isolamento de alguns canteiros e a interdição de uma rua, não vimos nada relacionado a ela. FNAC e centro da cidade – Márcio comprou uma camisa do Real Madrid e outra da seleção espanhola. Teleférico na Casa de Campo. Descanso deitados na grama. Renata comprou lembranças no El Corte Inglês e Márcio ficou jogando videogame (Hexic e corrida de F1). Jantar na casa de Patrícia, passando o Rock in Rio de Madrid na TV e arrumar as malas.
1A entrada anual custa menos que três vezes o valor da entrada para um dia. 2Na noite anterior havíamos visto placas de não alimente os pelicanos, mas não tínhamos visto nenhum pelicano. 3No final das contas, a Rússia ganhou da Holanda por 3 a 1, na prorrogação. Pobres holandeses. 4No meio das cervejas veio uma cidra. Pelo visto, não é só nos bares ingleses que é preciso tomar cuidado para não pedir uma cidra pensando que é uma cerveja. Em Basel, as cidras são colocadas entre as cervejas, e têm garrafas parecidas com as das cervejas. |