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Trechos ASSIM FALAVA GARCÍA LORCA "A canção, que nunca direi , adormeceu em meus lábios." "Detrás de cada espelho há uma calma eterna e um ninho de silêncios que não voaram ." Uma canção de silêncios adormecidos e calmos a revoada das aves brancas que não nasceram é quanto basta ao espelho e eis arrancada a página de um livro jamais escrito. (*) Tradução de William Agel de Melo. De:Obra Poética Completa Editora Universidade de Brasília. Quem dera estar agora em Portugal em uma casa de fados a ouvir cantarem-se paixões e atrevimentos. Quem dera estar agora a navegar em busca das mais belas incertezas a embriagar-me de esquecimentos e ir ao fim dos oceanos descobrir dos vastos mares, de que lugar vêm tantas saudades e tristezas. Acredito na força da palavra escrita a Bíblia não seria a Bíblia, se falada tábuas de leis foram pedra entalhada papiros, pergaminhos, de nações caminhos. Tem um quê de última, a palavra escrita às gerações resiste, grave e pura a poesia escrita é a escultura de um momento que quase se perdia. Deixa Deus em paz e não te queixes dessa sangria, desse vinho fraco dessa dor na alma, coração velhaco. Faze o que quiseres mas, por Deus, deixa Deus dormir e não reclames com teu grito rouco desses peixes poucos desse credo mouco. Deixa Deus em paz e não perturbes com os teus talhos, tuas labaredas estes assaltos que retalham dentro isso são atalhos, isso são veredas que toma o espírito, e aperta o passo. Deixa Deus na dele e não te queixes desses pães dormidos desse amor ferido, desse zumbido dessa sangria, desse vinho fraco. O REI MANDOU PRENDER . O rei mandou prender meus sonhos num caixote bateu pregos em redor mas houve uma fresta por onde meus fluidos sonhos escaparam. O rei mandou caçar meus sonhos com uma rede de pegar borboletas mas houve um remendo por onde meus sonhos-insetos escaparam como mariposas coloridas em volta da luz. O rei então desistiu e permitiu que meus sonhos voassem por todo o bosque até que anoitecesse. E não podendo ele virar ao contrário a ampulheta nem sequer impedir a passagem dos grãos de areia contentou-se em sentar a uma mesa azul de um bar de ladeira onde, olhando o crepúsculo, teve a impressão de que tudo estava calmo. |